NEUROEDUCAÇÃO
FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS DESPERTAM O CONHECIMENTO?
Entre os tópicos citados por Tokuhama-Espinosa
(2008), a partir de sua pesquisa na bibliografia já existente, que delimitam
possíveis abordagens para pesquisa em Neuroeducação estão às várias técnicas de
captação de informações neuronais, por sinais elétricos ou imageamento cerebral
como instrumento de observação de aprendizagem, a neurogênese e plasticidade;
as teorias da consciência e da inteligência, a neuroética; as diferenças de
aprendizado; e as relações corpo-mente (sono e exercícios físicos, entre outros
itens a esse respeito).
Eu acredito que esta mudança não
seja mais uma possibilidade, e sim uma constatação. Os cérebros estão
realizando plasticidades diferentes, estão se moldando de maneira diferente.
Mais do que construir ferramentas para melhor atender a si e ao cotidiano, o
homem constrói ferramentas para melhorar sua qualidade de vida e, desta
maneira, se manter vivo, jovem e eterno. A Informática e o movimento de imersão
no mundo virtual sugerem a utilização de uma nova linguagem e esta reorganiza o
funcionamento cerebral. Nada diferente do que fizeram e fazem a linguagem oral
e a escrita nas sociedades. Desde a criação do ábaco, do papel, do lápis (...),
dos computadores, o humano necessita se ‘corticalizar’ a fim de se tornar
inserido e aceito na sociedade. Logo, o uso exacerbado (ou não) da Internet ou
de recursos tecnológicos facilitadores da ação humana geram alteração sim do
córtex e mudanças nas formas de aprender, pensar, sentir e agir. Há o
desenvolvimento do potencial da inteligência humana de qualquer maneira. Pode-se
dizer que estamos caminhando para uma ecologia cognitiva, onde a informação,
principal ferramenta para atender as necessidades humanas neste contexto do
planeta, se tornou nossa moeda de entrada (e de troca) na sociedade.
No texto o autor enumera alguns
princípios básicos, a serem usados como fio condutor da Neuroeducação.
a) estudantes aprendem melhor quando são altamente
motivados do que quando não têm motivação;
b) stress impacta aprendizado;
c) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado;
d) estados depressivos podem impedir aprendizado;
e) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente
julgado no cérebro como ameaçador ou não-ameaçador;
f) as faces das pessoas são julgadas quase que
instantaneamente (i.e., intenções boas ou más);
g) feedback é importante para o aprendizado;
h) emoções têm papel-chave no aprendizado;
i) movimento pode potencializar o aprendizado;
j) humor pode potencializar as oportunidades de
aprendizado;
k) nutrição impacta o aprendizado;
l) sono impacta consolidação de memória;
m) estilos de aprendizado (preferências cognitivas)
são devidas à estrutura única do cérebro de cada indivíduo;
n) diferenciação nas práticas de sala de aula são
justificadas pelas diferentes inteligências dos alunos.” (Tokuhama-Espinosa,
2008: 78).
Cada professor já tem, criou seus inúmeros recursos tecnológicos que o auxiliam
em seus planos de aula. Estes recursos foram adquiridos em sua formação e em
seu cotidiano profissional. Diante da oportunidade de conhecer a neurociência,
cabe a ele verificar quais dinâmicas podem ser adaptadas a este novo
conhecimento de forma que a aprendizagem aconteça a contendo e com mais
significado. A ideia então é possibilitar estratégias metodológicas de
exploração dos sentidos biológicos do corpo que possam proporcionar à mente
novas configurações: habilidades e aprendizagens. Ações pertinentes ao sentir,
pensar e agir. Estas ações permeadas, decodificadas, armazenadas e
interpretadas por um único ator intercessor - o cérebro - podem e vão dar novas
dinâmicas à sala de aula e, com isso seduzir a atenção e o interesse discente.
Ao
invés de entregar tarefas quase prontas ou que exijam pouca reflexão do aluno,
que tal criar desafios? Estimular a autonomia de ação? Provocar debates em
sala? Incentivar trabalho em equipe?
Este é um momento em que as sinapses e os neurônicos se aceleram criando
novos sulcos de aprendizagem na memória dos alunos e, de acordo com a
criatividade em questão, aumentam o número de ferramentas capazes de
integrá-los (os alunos) no mercado de trabalho e/ou na sociedade em geral.
Sugere-se, entretanto, que a emergência das novas tecnologias
educacionais, seu enorme potencial para impor a atualização sobre as novas
necessidades e formas de ensinar e aprender seja o momento oportuno para que os
educadores de todas as formações compreendam a metáfora do próprio cérebro
humano, para fundamentar a produção de conhecimento sobre aprendizagem, ao
processar informações diversas, em áreas diversas, integrando-as através de
terceiras e quartas áreas, nas quais será capaz de produzir sentido e
complexidade compatível com o conhecimento necessário ao educando e educador do
Século XXI.
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