quinta-feira, 12 de junho de 2014

NEUROEDUCAÇÃO FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS DESPERTAM O CONHECIMENTO?

NEUROEDUCAÇÃO
FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS DESPERTAM O CONHECIMENTO?

Entre os tópicos citados por Tokuhama-Espinosa (2008), a partir de sua pesquisa na bibliografia já existente, que delimitam possíveis abordagens para pesquisa em Neuroeducação estão às várias técnicas de captação de informações neuronais, por sinais elétricos ou imageamento cerebral como instrumento de observação de aprendizagem, a neurogênese e plasticidade; as teorias da consciência e da inteligência, a neuroética; as diferenças de aprendizado; e as relações corpo-mente (sono e exercícios físicos, entre outros itens a esse respeito).
Eu acredito que esta mudança não seja mais uma possibilidade, e sim uma constatação. Os cérebros estão realizando plasticidades diferentes, estão se moldando de maneira diferente. Mais do que construir ferramentas para melhor atender a si e ao cotidiano, o homem constrói ferramentas para melhorar sua qualidade de vida e, desta maneira, se manter vivo, jovem e eterno. A Informática e o movimento de imersão no mundo virtual sugerem a utilização de uma nova linguagem e esta reorganiza o funcionamento cerebral. Nada diferente do que fizeram e fazem a linguagem oral e a escrita nas sociedades. Desde a criação do ábaco, do papel, do lápis (...), dos computadores, o humano necessita se ‘corticalizar’ a fim de se tornar inserido e aceito na sociedade. Logo, o uso exacerbado (ou não) da Internet ou de recursos tecnológicos facilitadores da ação humana geram alteração sim do córtex e mudanças nas formas de aprender, pensar, sentir e agir. Há o desenvolvimento do potencial da inteligência humana de qualquer maneira. Pode-se dizer que estamos caminhando para uma ecologia cognitiva, onde a informação, principal ferramenta para atender as necessidades humanas neste contexto do planeta, se tornou nossa moeda de entrada (e de troca) na sociedade.
No texto o autor enumera alguns princípios básicos, a serem usados como fio condutor da Neuroeducação.
a) estudantes aprendem melhor quando são altamente motivados do que quando não têm motivação;
b) stress impacta aprendizado;
c) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado;
d) estados depressivos podem impedir aprendizado;
e) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador ou não-ameaçador;
f) as faces das pessoas são julgadas quase que instantaneamente (i.e., intenções boas ou más);
g) feedback é importante para o aprendizado;
h) emoções têm papel-chave no aprendizado;
i) movimento pode potencializar o aprendizado;
j) humor pode potencializar as oportunidades de aprendizado;
k) nutrição impacta o aprendizado;
l) sono impacta consolidação de memória;
m) estilos de aprendizado (preferências cognitivas) são devidas à estrutura única do cérebro de cada indivíduo;
n) diferenciação nas práticas de sala de aula são justificadas pelas diferentes inteligências dos alunos.” (Tokuhama-Espinosa, 2008: 78).
            Cada professor já tem, criou seus inúmeros recursos tecnológicos que o auxiliam em seus planos de aula. Estes recursos foram adquiridos em sua formação e em seu cotidiano profissional. Diante da oportunidade de conhecer a neurociência, cabe a ele verificar quais dinâmicas podem ser adaptadas a este novo conhecimento de forma que a aprendizagem aconteça a contendo e com mais significado. A ideia então é possibilitar estratégias metodológicas de exploração dos sentidos biológicos do corpo que possam proporcionar à mente novas configurações: habilidades e aprendizagens. Ações pertinentes ao sentir, pensar e agir. Estas ações permeadas, decodificadas, armazenadas e interpretadas por um único ator intercessor - o cérebro - podem e vão dar novas dinâmicas à sala de aula e, com isso seduzir a atenção e o interesse discente.
          Ao invés de entregar tarefas quase prontas ou que exijam pouca reflexão do aluno, que tal criar desafios? Estimular a autonomia de ação? Provocar debates em sala? Incentivar trabalho em equipe?  Este é um momento em que as sinapses e os neurônicos se aceleram criando novos sulcos de aprendizagem na memória dos alunos e, de acordo com a criatividade em questão, aumentam o número de ferramentas capazes de integrá-los (os alunos) no mercado de trabalho e/ou na sociedade em geral.

     Sugere-se, entretanto, que a emergência das novas tecnologias educacionais, seu enorme potencial para impor a atualização sobre as novas necessidades e formas de ensinar e aprender seja o momento oportuno para que os educadores de todas as formações compreendam a metáfora do próprio cérebro humano, para fundamentar a produção de conhecimento sobre aprendizagem, ao processar informações diversas, em áreas diversas, integrando-as através de terceiras e quartas áreas, nas quais será capaz de produzir sentido e complexidade compatível com o conhecimento necessário ao educando e educador do Século XXI.

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